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1 week ago on 19 May 2012 ~ 4:49pm 13,461 notes

1. Espelhos

George começou a odiar espelhos. Parecia estranho de certa forma, o seu ódio por um objeto inanimado, mas cada vez que via um era suficiente para suas mãos virarem punhos e seu rosto cansado…com ódio extremo, mas com uma sombra de tristeza. Os Weasley, após a morte de Fred, olhavam para cima cada vez que viam George, apenas esperando, ansiando por ambos os gêmeos. George estava farto do olhar de decepção em seus rostos quando eles percebiam que era somente ele, George. Apenas George. Um George sem Fred…
Mas George teve a mesma reação, cada vez que ele olhava para um espelho, ele iria voltar, convencido de que o espelho tinha piscado para ele, travesso…ou então tinha dado um típico sorriso brilhante carregado de segundas intenções, como sempre. Mas quando ele se virou para olhar, o coração pulando um pouco, ele só via seu reflexo sonolento, sem uma orelha. Nenhum sorriso brilhante. Nenhuma piscadela travessa. Ele definitivamente odiava espelhos. Todos, exceto um.

 Era a manhã após a batalha de Hogwarts. Voldemort estava morto, Comensais da Morte foram mortos ou fugiram e Harry tinha salvo o dia, novamente. George sabia que ele deveria estar feliz. Pelo menos colocar uma cara feliz e tentar comemorar o fim da guerra com os outros. Mas seu corpo e mente pareciam ter entrado em choque. Fred tinha ido embora. Embora. Para sempre. George nunca iria saborear dividir suas glórias com seu irmão, ou provocar Percy com ele, ou ouvir o seu riso. Nunca. 

 Todas as lembranças de Fred pareciam ter sido reinjetadas em George, só para piorar as coisas. Praticar quadribol com Fred na Toca, correr ao redor de Hogwarts com Fred às três da manhã, evitando Filch depois de alguma boa travessura; acidentalmente explodir o seu quarto enquanto fazia experimentos para a Gemialidades Weasley, tentando esconder os resultados horríveis de NIEMs de sua mãe.

George não tinha uma memória sem Fred estar nela também. Todas as lembranças mais felizes de sua vida, ele passou ao lado de Fred. George e Fred. Fred e George. Sempre assim. Inseparáveis. E agora…ele tinha ido embora.
Os pensamentos e lembranças passavam como um raio por sua cabeça…ele não conseguia ter controle. Seu cérebro parecia se recusar a aceitar o fato…

 Ele estava caminhando para o Grande Salão, em busca de algo para conter o fluxo de sangue na orelha. Ouvido estúpido, pensou George. Ele sempre parecia estar sangrando hoje em dia, mas, novamente, talvez fosse um aviso, um sinal de perigo. Ele pisou sobre os corpos, tremendo ligeiramente, George tinha conhecido de algumas dessas pessoas, e eles tinham morrido, inocentemente, para o bem. Ele podia ver a sua família, que parecia estar em volta de alguém. Alguém. O coração de George disparou agora. Não Gina, ele orou. Ou Percy, logo depois ele pediu desculpas. Ele se aproximou, seu corpo inteiro afundando quando viu um tufo de cabelos ruivos no chão de pedra fria. Tinha que ser um Weasley. Mas antes que pudesse chegar lá, uma onda de cabelos ruivos pulou a sua frente, Gina. Em lágrimas, ela jogou os braços em torno de George. Os rostos da sua família, virados fixamente para ele, mas ele realmente não tinha registrado quem estava lá e quem não era…Eles estavam chorando e olhando para George, suas expressões começando a assustá-lo.

- Fred. Onde está Fred? - George perguntou, com um caroço enorme formando em sua garganta.
- Eu sinto muito, George. Sinto muito… - Carlinhos disse, com as lágrimas escorrendo pelo rosto e soando como se ele tivesse tido um resfriado ruim. Carlinhos estava chorando. Isso não estava certo. Ele tinha visto sua mãe chorar, ou Gina, por coisas que ele não se importou realmente na época. Ele tinha visto Percy, Gui, Ron chorar…Mas Carlinhos nunca tinha chorado porque ele, como Fred, era praticamente invencível. Ele tinha visto Fred chorar também uma vez, George vasculhou bem na memória.

Ele aproximou-se do corpo, os Weasley saindo de seu caminho.

O coração de George pareceu parar. O choque tomando conta de todo seu corpo, até o último fio de cabelo ruivo.

Não podia ser. Fred estava deitado lá, pálido, um fio de sangue descendo por sua testa. Mas não podia ser! Não Fred! Fred era Fred, oras. Invencível, assim como George. Ele não podia morrer. Ele não iria morrer. Não sem George. Isso não podia ser verdade. Não podia.
- Eu sinto muito, George… - Gui disse, colocando a mão no ombro de George tremendo quando ele caiu de joelhos ao lado de seu irmão gêmeo…

George passou o resto da terrível hora olhando para o corpo de Fred, orando por algum sinal de movimento, orando para que Fred estivesse apenas ferido, ou tinha sido nocauteado…mas depois de um tempo, as pessoas vieram para mover seu corpo. George tentou gritar com eles; gritar para deixá-lo sozinho, mas nenhum som poderia sair de sua boca, ele estava ali, sentado em choque completo. Depois disso, George prometeu a seu irmão gêmeo que iria matar quem quer que tenha causado a sua morte. Nem que tenha que matar Comensal da Morte um por um. Talvez sua raiva tinha estimulado-o, George tinha que matar essa pessoa, e nem se importava mais se ele próprio sobreviveria. Ele lutou bem, e derrotou Yaxley com a ajuda de Lino Jordan. Mas agora esta batalha tinha terminado, e George não tinha cabeça para nada, exeto para o corpo sem vida de seu irmão gêmeo.

1 week ago on 19 May 2012 ~ 2:57pm

2. Pesadelo real

- Vamos lá, George - disse Gui, olhando para a figura amassada de George, sentado em um banco no Grande Salão - nós precisamos nos livrar de alguns destes detritos.

George não tinha certeza se Gui tinha tomado a iniciativa de buscá-lo para livrar seus pensamentos para longe das últimas horas e impedi-lo de olhar fixamente para o espaço, continuamente revivendo os piores momentos de sua vida. Gui saiu, provavelmente não esperava que George o ajudasse, levando em consideração as circunstâncias. Mas George precisava ver Fred de novo, e ele não tinha ideia de para onde seu corpo tinha sido levado. Suspirando pesadamente, George se levantou e desapareceu por um corredor cheio escombros. Ele tentou limpar um pouco para tentar facilitar sua passagem, apenas para perceber que havia deixado sua varinha em algum lugar no Grande Salão. Mas ele não podia voltar atrás, não depois da quantidade de pessoas que tentavam desesperadamente consolá-lo, dizendo que eles entendiam. Claro, eles tinham as melhores intenções em seus corações, mas eles não entendiam. Eles não conseguiam entender, e suas palavras de conforto, honestamente, não significavam nada para George. Eles não tinham perdido um irmão gêmeo. Eles não tinham perdido uma parte de si próprio.

George continuou pelo corredor mais algum tempo, demasiado cansado para mover qualquer entulho à mão. Ele realmente não se importava mais. Hogwarts estava um desastre mas ele também estava, e um castelo poderia ser restaurado, mas Fred não.

Ainda em estado de choque, George entrou em uma sala vazia. A batalha obviamente não tinha ocorrido aqui, porque não havia destroços no chão e nem outros sinais de uma possível batalha. George precisava se sentar, ele estava tonto, ele estava perdido. Foi certamente a mistura de choque, desespero, sono e falta de energia. Deixando de lado um pouco dos entulhos com a mão, ele caiu no chão de pedra contra a parede e ficou olhando para o espaço vazio, as memórias de Fred, zombando e provocando-o para o fato de que ele jamais poderia ver seu irmão gêmeo novamente…

No entanto, Fred estava sorrindo marotamente para ele do outro lado da sala.

George piscou com o choque, seu coração disparou, Fred, de pé em frente à ele: sorrindo, ileso, feliz. Para George.

- Fred? - ele perguntou com a voz rouca, a primeira coisa que ele tinha dito uma vez que tudo tinha acontecido. O coração do rapaz pulou de alegria em um segundo, mas este Fred não estava falando. George piscou e olhou de novo, como uma criança pequena esperando algum tipo de surpresa, que era exatamente o que Fred tinha. Era ele, George, ao lado de Fred, sorrindo. George poderia dizer que era ele, a figura da direita estava em falta com sua orelha esquerda. Um milhão de perguntas estavam voando pela cabeça de George, mas ele não conseguia dizer nada. Em vez disso, ele se levantou, dolorido pelo cansaço, mancando algumas vezes, e foi até Fred e a outra versão de si mesmo. Eles ficaram ali, sorrindo um para o outro e rindo um pouco, de suas próprias brincadeiras e piadas. Absorvido na esperança de que Fred estava de volta de alguma maneira ou forma, George levantou a mão para abraçar seu irmão gêmeo…

Mas recebeu em troca o toque de um espelho gelado. Frio, sem vida.

Ele tinha andado até esse espelho de alguma maneira, e em poucos segundos George percebeu do que se tratava. Ele viu apenas a si mesmo, pálido, com uma orelha sangrenta e um olhar muito confuso para o espelho. Recuando novamente, George ainda se viu, mas feliz e com Fred novamente. Era apenas um espelho, mas a partir do olhar das coisas, era o mais próximo que George podia chegar ao seu irmão gêmeo. Andando um pouco mais para trás, George olhou para o espelho, desejando trocar de lugar com o espelho-George, que estava rindo com Fred, despreocupadamente.

- George? George?

- Ele está por aqui papai, acho que o encontramos!

Vozes - distantes para ele - preocupadas despertaram George de seu sonho. Ele não tinha a intenção de dormir, mas tinha cochilado, com Fred sorrindo para ele. Ele piscou para o espelho a sua frente, agora só mostrando-lhe olhos lacrimejantes e cansados de seu pai e Percy. O coração de George afundou novamente. O sono tinha feito ele se sentir melhor, fisicamente, mas lembrando-se de todo o ocorrido, se sentiu pior ainda. A única maneira que ele poderia obter para conseguir ver seu irmão, agora, era um espelho.

- Você está bem? George, fale alguma coisa…por favor - Percy perguntou baixinho, como se George estivesse seriamente doente. Na opinião de George, era uma pergunta realmente estúpida e sem nexo. Ele havia perdido seu irmão gêmeo, pelo amor de Deus, ele estava destruído. Ele estava… - Sinto muito, George, eu sinto muito - Percy disse, entre lágrimas, ao ver a expressão no rosto de George. - nós estávamos preocupados, procuravamos por você há algum tempo… - George mal olhou para ele, querendo ver mais de Fred no espelho, mas seu pai atrasou este plano.

- É hora do almoço, Georgie, - disse Arthur, sua voz também tranquila, embora muito cansada. George registrou o uso de ‘Georgie’, algo que, antes que sua orelha tinha sido perdida, não tinha sido usada desde que ele era pequeno o suficiente para parecer inocente. - Alguns elfos domésticos estão improvisando uma comida, - Arthur continuou - e você precisa comer, você não comeu nada desde a noite passada… - Isto era verdade; George tinha lutado em parte com o estômago vazio, mas comer parecia ser uma das últimas coisas que ele teria vontade de fazer naquele momento. Ele olhou para o pai, inexpressivo, exceto por um olhar cheio de tristeza pura.
- Por favor, George, mamãe está preocupada… - Percy tentou argumentar.

George levantou-se relutantemente, com a ajuda de seu pai. Se tivesse sido sua decisão, ele iria passar o dia na frente do espelho, entrando e saindo do sono, com Fred ainda sorrindo travesso para ele.

Mas não.
Esta era a vida real.

Caminharam lentamente para fora da sala, Percy e Arthur limpando escombros com suas varinhas, durante os preocupados olhares que lançavam na direção de George, que estava tentando memorizar a localização da sala. Ele nunca esteve ali antes com Fred, e nem tinha a visto no Mapa do Maroto.

George passou por um outro espelho no caminho para o Grande Salão. Ele não tinha notado isso antes, mas agora queria dar um soco no estúpido espelho. Ao contrário do outro espelho, ele só mostrou a imagem de si mesmo, pálido, exceto pelo sangue em sua orelha esquerda, e ter que ser praticamente sustentado por seu pai e irmão mais velho. Como ele iria passar o resto de sua vida assim?

Fred e George tinham planejado seu futuro juntos. George não sabia o que fazer. Todas as lembranças juntos (na verdade, ele não se lembrava de uma sem ter o irmão gêmeo incluído)…Como ele iria voltar para a loja de seus sonhos, dos sonhos deles, sem Fred?

- Nós fizemos isso, Fred! Ah sim, nós fizemos isso! - George disse enquanto sorria para a loja de logros, abrindo uma garrafa de whisky de fogo.
- Ah, é - disse Fred sorrindo tanto quanto George - adeus Umbitch estúpida, ou regras, ou detenções com Filch, ou deveres de casa de Poções, - ele suspirou feliz. - estamos livres, George, livres!
- Bem, até que mamãe descubra - riu George, embora tendo a certeza de que fariam sua mãe se sentir orgulhosa, ao ver a loja crescendo no controle dos gêmeos encrenqueiros, ao longo dos anos. - Viva a liberdade - disse George, batendo seu copo contra o de Fred - e a nossa loja dos sonhos.
- Nós nunca vamos deixar esse lugar, certo? - Fred disse, fazendo ambos sorrirem mais ainda, enquanto corriam pela loja em meados dos anos 90.
- Sim - George abriu um sorriso maior ainda, subindo as escadas para dar uma olhada no pequeno apartamento que os gêmeos viveriam até tiverem dinheiro suficiente para comprar uma casa maior…

1 week ago on 19 May 2012 ~ 2:55pm

3. Você estava sempre lá

George voltou para o Grande Salão, esperando nada menos do que a reação de sua família. Os Weasley novamente reunidos, em volta da mesa. Molly estava soluçando, o braço de Gui ao seu redor, tentando reconfortar a mãe. Harry, Hermione e Fleur também estavam sentados com eles, a uma certa distância.

- Georgie! - a sra. Weasley gritou com a voz rouca, olhando para seu filho, e George sabia o que viria a seguir. Ela lançou os braços ao redor dele e soluçava em seu ombro. Parte de George queria reconfortá-la, ela era sua mãe, afinal, e a perda de Fred tinha a afetado também, embora nem de perto tão quanto ele tinha sido afetado. Mas George permaneceu na posição ereta e rosto inexpressivo, incapaz de realmente pensar ou se mover.

- Meu bebê… - ela chorou ainda mais - Georgie, eu… eu pensei… depois… depois de F-Fred - ela parou ali, incapaz de dizer mais alguma coisa quando o resto das lágrimas iam desabando sem fim sobre seu rosto. O sr. Weasley guiou sua esposa de volta à mesa, George os seguindo, ainda sem pensar direito. Sua mente estava longe e seus pés fizeram o trabalho todo automaticamente. Percy também estava se juntando à eles. George sentou-se com relutância e olhou para a parede em branco atrás do rosto sonolento de Gina. Ele e Fred já haviam tentado enfeitiçar toda parede para ficar na cor roxa, apenas para descobrir uma irada professora McGonagall logo correndo atrás deles.

- Por favor, coma, Georgie.

George não poderia fingir que não os ouvia. Sua família estavam insistindo para que ele comesse alguma coisa, porque ele precisava de energia. Afinal, ele parecia muito cansado e se sentia como se estivesse debaixo d’água, mas a perspectiva de comer era extremamente convidativa e George sentiu que ia ficar doente… então ele mordiscou apenas uma torrada. Isso não impediria que sua família parasse de tentar, mas depois de quinze minutos de tentativas inúteis para conseguir fazer George comer, beber, ou mesmo responder-lhes, eles foram obrigados a desistirem e se servirem.

A conversa que seguiu foi mais ou menos assim: Molly ainda soluçando discretamente entre garfadas trêmulas de mingau e Arthur e os irmãos mais velhos de George discutindo maneiras de limpar os escombros e outras coisas que George definitivamente achou sem importância. George, no entanto, parecia incapaz de pensar em linha reta; cada pensamento o ligava de volta para Fred e todo pensamento de Fred o levava a reviver a noite passada. George precisava ver o espelho novamente, para ver Fred feliz, e não aquele Fred frio e morto no chão de pedra…

O plano de George foi impedido durante toda a tarde. Toda a sua família, exceto Gina e Molly estavam fora, ajudando a restaurar Hogwarts para o belo castelo que era. George tinha ficado no mesmo lugar desde o almoço, e as pessoas pareciam realmente muito ocupadas para perceber que ele estava lá, não que ele realmente se importasse com isso.

- George?

Era Lino Jordan. Ele se sentou ao lado de George, também parecia cansado, gasto e triste.

- Companheiro, você está bem?

George não sabia porque se sentia tão diferente quando Percy tinha feito a pergunta. Ele deu de ombros, sem olhar em qualquer lugar em particular. Lino era seu melhor amigo, depois de Fred, é claro. Ele tinha passado muitas noites evitando Filch com os gêmeos, mas George não queria falar com ele agora. Lino não se mexeu, apenas olhou ao redor do local em silêncio. Depois de deixar escapar um suspiro longo, ele falou novamente, George só agora percebeu a maneira como ele falava, como se estivesse segurando as lágrimas.

- Sinto muito, George. Sinto muito.

Estas palavras realmente não significavam nada para George. Ainda assim, muitas pessoas já tinham lhe dito, mas isso não ajudariam de nada. Apenas palavras inúteis. Palavras inúteis que não poderiam trazer Fred de volta, que era tudo o que George queria. Se ele tivesse energia suficiente, George iria se levantar assim que visse Alicia Spinnet, Angelina Johnson e Oliver Wood subindo, mas ele simplesmente não conseguia.

- Ei, George.

Era Angelina, a ex-namorada de Fred. Fred e Angelina tiveram um relacionamento curto nos tempos de escola e então não tinham se falado desde então, mas sua morte tinha obviamente afetado Angelina, que tinha os olhos muito vermelhos. Alicia caiu do outro lado de George e colocou um braço em volta dele. Ela, assim como Angelina, também tinha os olhos vermelhos e inchados. Fred e Alicia eram bons amigos, embora nunca tivessem namorado. George a tinha levado para o Baile de Inverno e teve um tempo realmente bom com ela, mas nunca a namorou também. Estas pessoas todas conviveram com Fred, eram amigos dele. Amigos de George também. Eles estavam aqui para ajudá-lo, mas George não conseguia nem sequer olhar para eles agora. Ele não conseguia fazer nada. Talvez ele realmente tivesse entrado em choque…

Foi mais tarde. Muito mais tarde. George estava debaixo das cobertas em alguma cama. Alguns dos combatentes haviam permanecido em Hogwarts, para ajudar as outras pessoas necessitadas. George estava enrolado em uma cama em um dormitório da Lufa-Lufa, ouvindo os altos roncos de Percy, que estava completamente ferrado em seu sono. Nenhum dos Weasley queria que George ficasse de vista, preocupados por ele querer sumir de novo ou, quem sabe algo pior. Eles não queriam nem imaginar! Verificando se Percy estava realmente dormindo, George rolou com cuidado para fora da cama. Ele não tinha dormido por muito tempo, apenas ficou acordado, sua mente em branco, exceto pela imagem horrível de Fred morto no chão. Ele precisava ver o espelho novamente. Ele tinha que ver. Ele queria ver.

Parecia que George estava vagando por Hogwarts além do horário permitido, como muitas vezes ele fez. Com Fred. Ele perdeu alguns minutos até encontrar a saída do dormitório para a sala comunal da Lufa-Lufa. Tentando manter os olhos abertos, George olhou em volta, na escuridão. Ele havia esquecido sua varinha. Na verdade, ele não tinha certeza de onde estava. E se perder em um enorme castelo - agora praticamente em escombros -, escuridão total no meio da noite, sozinho e sem uma varinha… não era o local preferido de George, realmente.

- Mamãeeeeeeeeeeeee - George gritou, com lágrimas nos olhos -, eu estou perdidooooooooo… - ele lamentou.

Molly olhou por cima do fogão. Esses gêmeos a levariam à um piripaque! As suas brincadeiras sempre perigosas de alguma forma, e mais frequentemente do que nunca, alguém acabaria gritando ou chorando, se tratando de Ron, Percy ou ela mesma. Definitivamente.

George lamentou mais ainda. Ele estava preso, em algum lugar no escuro. Fred não estava lá, ele tinha ido se esconder em algum outro lugar depois que Carlinhos tinha explicado como esconde-esconde funcionava, era só diversão então, quando era ele contra os gêmeos, que sempre se escondiam juntos.

- Mamãeeeeeeeeeeeee… Freddiiiiie… - George soluçou ainda mais, ele poderia lidar com o escuro, mas era muito escuro mesmo, e tinha um cheiro engraçado. - estou preeeeso! - George lamentou enquanto ele caía aos prantos. Molly suspirou e buscou sua varinha. Então, talvez se George estivesse mesmo perdido, ou preso, não seria essa a primeira vez.

- Onde está você, Georgie? - ela disse gentilmente, saindo da cozinha.

- Eu não sei - lamentou George, que parecia estar em histeria. -, mas é assustadoooor…

Molly não podia deixar de sorrir para si mesma enquanto ela avançou em direção ao armário debaixo da escada, em que os Weasley mantinham seus sapatos. Depois de girar a chave facilmente, Molly abriu a porta para encontrar um George soluçante em seu melhor parte de botas cheias de lama.

- Está tudo bem, Georgie - ela sorriu, pegando seu filho -, você acabou se trancado no armário de sapatos. Como você aqui, afinal? - ela perguntou, impressionada porque George tinha conseguido abrir o armário. Para alguém muito pequeno, era um grande feito.
- Esconde-esconde - George disse enquanto colocava o polegar na boca.
- Não se preocupe - disse Molly, colocando-o no chão enquanto Fred e Carlinhos, corriam para o quarto -, mamãe estará sempre aqui.

Mas Molly não estava lá agora. Ou Fred. E sua mãe não estava em um estado muito melhor do que ele no momento. Ele suspirou e vagou por um corredor escuro, esperando que este pudesse levá-lo para o espelho.

Depois de mais de várias tentativas frustradas, George finalmente encontrou a sala com o espelho dentro. Sabendo que ele tinha perdido muito tempo olhando para ele, ele decidiu ficar lá até de manhã, e depois, retornar ao Grande Salão. Se seu cérebro estivesse, em qualquer estado adequado, George seria capaz de chegar a melhor maneira mais fácil de encontrar o espelho.

George fez seu caminho através dos escombros e se sentou-se em seu lugar novamente no chão, olhando para Fred, que ainda estava, como na noite anterio, sorrindo de maneira genuinamente travessa para ele. George se inclinou contra a parede, contemplando seu irmão.

Ele poderia ficar assim para o resto da vida.

Sendo enganado por um espelho.

Mas pelo menos ele estaria com Fred. E Fred parecia tão feliz…

E se Fred parecia tão feliz, então, George também estava feliz. E isso bastava, não é?
 Sem mesmo perceber, os olhos de George começaram a se fechar, a parte da cabeça sem orelha caindo em seu ombro, cansada. O sangue havia desaparecido de sua orelha, Madame Pomfrey e McGonagall haviam limpado com várias poções e tinham praticamente forçado George a tomar analgésicos diversos, que apesar de terem ajudado, não eram muito bons em um estômago vazio, especialmente quando George precisava dormir…

1 week ago on 19 May 2012 ~ 2:51pm
via  d-esculpasociedade  (originally  fuqth3cops)
2 weeks ago on 11 May 2012 ~ 10:01pm 21,814 notes